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sábado, 17 de janeiro de 2015

Saúde: OS SINAIS QUE IGNORAMOS




Desde que me lembro, ela estava lá. Parecia uma bolha. Perguntei à minha mãe o que seria aquilo, ao qual me respondeu que pensava se tratar de uma marca da varicela.

Nunca mais liguei ao assunto, uma vez que não me dava dor ou comichão. Não me incomodava de todo. Para mim estava resolvido…

Há coisa de dois anos, comecei a reparar que a mancha branca que quase não se via aumentou de tamanho e passou a ter um tom rosado. Continuei a não ligar, pois como usava e uso muita maquilhagem, pensei que poderia ser uma reação alérgica.

A partir do ano passado, principalmente quando retirava a maquilhagem, essa mancha começou a deitar sangue. Aí, percebi que afinal não se poderia tratar de uma mera marca de varicela ou uma reação alérgica aos produtos de beleza…

Então, marquei uma consulta de dermatologia para tentar perceber afinal o que seria esta mancha. A médica disse-me logo que não gostava do aspeto da mesma e que teria de ser retirada. Continuei sem saber qual era o problema e fui reencaminhada para a Doutora Nádia Castanheira, médica-cirurgiã plástica.

A Doutora Nádia Castanheira examinou-me e tirou uma fotografia à dita mancha. Confirmou que teria de ser retirada. Perguntei então do que se tratava, ao qual me respondeu que era um basalioma superficial da pele.

E agora vocês perguntam-me “mas o que é isso?”. Após várias pesquisas, constatei que “é um cancro da pele de crescimento lento”.

O basalioma é o resultado de demasiada exposição ao sol e de não utilizar protetor solar. Olhando para trás, quando eu era adolescente, era raro colocar protector solar na cara ou no corpo. A minha maior “preocupação” era ficar mais morena em vez de ter cuidado com a minha pele.

Ontem realizei a cirurgia. Correu tudo muito bem. A única dor que senti foi somente a da anestesia local.

Portanto meninos e meninas usem e abusem do protetor solar.


domingo, 11 de janeiro de 2015

“A família somos nós que a escolhemos”…



Nem sempre nos sentimos felizes no seio da nossa “família de sangue”, por isso, temos a liberdade de escolher a nossa “família de afinidade”. E eu escolhi a minha. Tenho aqueles a que chamo de pais adotivos, tios do coração e irmãos. E, quando perdemos um membro que amamos, como nos sentimos?

Posso escrever sobre a dor, mas nunca conseguirei descrevê-la na sua totalidade. É uma dor que carrego todos os dias. É a saudade daquele abraço e das suas palavras sábias. É a saudade dele. Do meu irmão. E é a esperança que não passe de um pesadelo…

Passaram dois anos e ainda distingo o seu cheiro ou sei do seu abraço. Lembro-me da sua voz e do seu sorriso. Lembro-me dos nossos (inúmeros) momentos de irmãos. São meus e dele. Nossos…

Após a sua repentina partida, metade de mim partiu com ele. Sou outra pessoa. Que vive agarrada a um passado presente, cujas lágrimas são de raiva e de dor.

Comecei a questionar o que é a vida?! Ou a morte?! Qual o nosso principal papel na Terra?! De tudo o que vejo ou acredito, há mais para além disto. Há vida algures noutro lugar. Há uma nova forma de contacto com quem mais amamos. Eles não “morrem”.

Deixei de ter medo da palavra «morte». E todos aqueles momentos que me prometeu, mas que não está cá para os “cumprir”, ele há de estar presente, mas à sua maneira.

Engraçado como em dois anos o caminho que percorro é tão diferente. E as marcas do caminho que algum dia percorri vão desaparecendo, mas não se esquecem. Limitamo-nos a seguir em frente. Tornamo-nos outras pessoas…não sei se melhores ou piores.


E como ninguém substitui ninguém, ele há de ser eternamente meu. Meu irmão. Ou a minha estrelinha cintilante.

Se está vivo no nosso coração, então está vivo!



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

AS CINCO GERAÇÕES DO MARKETING: GERAÇÃO SILENCIOSA




A «Geração Silenciosa» caracteriza as pessoas que nasceram entre os anos de 1925 e 1945 (atualmente com idades compreendidas entre os 69 e 89 anos). Esta geração viveu os anos loucos da década de 20, a pós-Primeira Guerra Mundial, a Grande Depressão (quebra da bolsa de 1929) e a Segunda Guerra Mundial. Outros momentos históricos vividos por esta geração são a Guerra Civil Espanhola (1936), os movimentos caracterizados pelo nacionalismo e por colocar no poder ditadores, como por exemplo, Adolf Hitler (nazismo), Benito Mussolini (fascismo), António Salazar (salazarismo) e Francisco Franco (franquismo).

Para esta geração, o trabalho era a grande preocupação das pessoas, pois estas entravam no mercado de trabalho muito cedo com o intuito de poderem ajudar a família a sustentar-se. Aquilo a que atualmente designamos de “horários de trabalho” não existia na época, pois as pessoas só saíam das empresas quando o trabalho estivesse totalmente concluído.

Durante anos, as mulheres só se ocupavam com as «lides domésticas», mas quando ocorreu a Segunda Guerra Mundial estas, assim como as crianças, tiveram de  começar a trabalhar em fábricas, porque os homens tiveram de ir para a guerra. Duas das características mais vísiveis neste período, é que muitas das mulheres, por trabalharem sempre em casa, não eram alfabetizadas e a estrutura militar era exemplo para as empresas, tanto na autoridade quanto na hierarquia.

Devido ao acontecimento da Grande Depressão, esta geração viu-se assombrada pela crise económica mundial que fez estremecer seriamente a economia a nível global. Após este período, foi prioritário restabelecer a ordem económica mundial.

 Apesar dos jovens da Geração Silenciosa viverem estes momentos históricos, não prestaram serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial dada à sua tenra idade. Ainda assim, testemunharam a luta dos seus familiares em tempos de guerra.

Dentro da caracterização  da «Geração Silenciosa» devemos ter em conta os seguintes fatores:

1.         Tradicionalismo e respeito aos valores pré-estabelecidos: esta geração não rompeu de forma alguma com os padrões deliberados anteriormente.

2.         Família como base da sociedade: esta geração é marcada por a mulher ficar em casa a tratar das tarefas domésticas e cuidar dos filhos, enquanto o homem vai trabalhar para sustentar a sua família.

3.         Respeito à religião: as pessoas que marcam a geração silenciosa iam à missa todos os domingos e cujos filhos tinham de fazer a catequese e a primeira comunhão. De certa forma, a religião tinha a sua função social e tinha que ser respeitada.

4.         Orgulho nacionalista: podemos caracterizar a geração silenciosa pelo seu nacionalismo e pela glorificação do passado nacional e dos grandes heróis que fizeram parte da história.

5.         Práticas, dedicação e gosto pelas hierarquias rígidas: presenciados os tempos de guerra, a geração silenciosa é considerada uma geração sobrevivente e como tal, aprendeu que é necessário ser prático e dedicar-se a um objetivo para conseguir atingí-lo. Assim, tal como os soldados que lutaram na guerra obedeciam a uma hierarquia militar para poderem ser eficazes no que faziam, esta geração aprendeu a não questionar, respeitar as autoridades, são disciplinados e colocam o trabalho em primeiro lugar.


Os principais valores da geração silenciosa são a família, o trabalho e a moral.

Ascensão das mulheres

Apesar de todo o tradicionalismo que imperou nesta época, a geração silenciosa presenciou as primeiras vitórias do movimento feminista, isto porque dos anos 10 aos anos 30 as mulheres conseguiram obter direitos trabalhistas e direito de voto em termos mundiais. Esta vitória histórica só foi possível porque como os homens estavam a lutar nas guerras e as fábricas tinham de continuar a funcionar, a alternativa foi a utilização da mão de obra feminina. Acabada a guerra e com os homens de regresso a casa, as mulheres tiveram de se impôr para não voltarem só às «lides domésticas». Como tal, a sociedade teve de aceitar o novo papel que a mulher começou a exercer em tempos de guerra.

A «geração silenciosa», na década de 30, assistiu ao surgimento de tecnologias, cuja eletricidade começava a chegar à casa das pessoas, onde a indústria do lazer se iniciava com a música popular, o rádio e o cinema começavam a fazer parte da vida das pessoas. Assim, estes novos medias fizeram com que novos pensamentos circulassem e os costumes passassem a ser repensados.

Como prova da ascensão das mulheres na sociedade, que até aqui eram submissas, passam a ter acesso ao estudo e a quebrar alguns paradigmas. Por exemplo, a moda sofre alterações, cujas roupas começam a marcar a silhueta feminina, começam também a surgir alguns “feitos” femininos pelas mãos da dramaturga Mae West, da escritora Doroty Parker e da recordista Amelia Eartheart.

A atriz sueca, Greta Garbo, que é considerada um ícone de beleza nesta época, surge no cinema com roupas mais ousadas. É através da atriz que se dá o início da ascensão da nova imagem da mulher. Estas usam cabelos curtos e tiaras e começam a mostrar a sua personalidade: têm vontade própria e os seus pensamentos devem ser ouvidos e respeitados.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Obesidade: uma realidade, duas histórias



De acordo com o relatório da Direção Geral de Saúde, mais de metade dos portugueses tem excesso de peso e 1 milhão são obesos. Cada português adulto ingere, em média, 3963 calorias, ou seja, quase o dobro do que é aconselhável.
Não sabia a forma como abordar este tema, mas mais do que fazer “copy paste” de algumas notícias, é relatar casos concretos que conhecemos. E é isso mesmo que vou fazer.
Antes de mais, este é um assunto que me suscita algumas dúvidas, uma vez que o meu metabolismo é diferente e, para quem me conhece, sabe que não sou grande apreciadora de comida…
A história de “Tomás”
Lembro-me de a ver grávida e posteriormente ele nascer. Acompanhei grande parte da sua infância e notava-o cada vez mais robusto para a sua idade. Era uma criança dona do seu nariz e muito mandão, mas ao mesmo tempo muito amorosa.
Até há bem pouco tempo, desconhecia a luta que os pais do “Tomás” enfrentavam com o seu peso. A medida mais drástica foi trancar o frigorífico com correntes e cadeados. “Tomás” assume que aquilo que mais adora fazer na vida é comer, comer e comer.
Atualmente “Tomás” tem 12 anos, continua a ser seguido por uma psicóloga e por um nutricionista. A batalha dos pais está longe de terminar, apesar de “Tomás” fazer um esforço para comer as calorias necessárias.
Também, numa forma de o distrair e o ajudar a perder peso, “Tomás” anda na natação.
A história de Ivan
“Eu sempre me debati com a balança, embora eu em miúdo fosse “normal”. O meu peso começou a aumentar por dois motivos: o primeiro porque comia em grandes quantidades, o segundo porque, tudo o que como tem um efeito brutal em mim, ou seja, o meu metabolismo é mais lento”.

Foi aos 11 anos que Ivan começou por fazer a primeira dieta, uma vez que tinha o colesterol muito elevado. Posteriormente optou por fazer exercício físico, apesar da sua autoestima nunca ter estado em causa devido ao peso.

Atualmente com 29 anos, Ivan, com a ajuda de um plano de nutrição, já emagreceu no total 23kg.


Questionado se o exercício físico, bem como uma alimentação equilibrada eram um desafio diário, Ivan diz que não, pois fá-lo por gosto.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Diga NÃO ao abandono!

Queridos donos,

Sei que sou lindo e fofinho. Talvez pareça um peluche. Sou bebé. Mas sabes dono, tal como todos os seres, eu cresço e torno-me adulto. Será que vais continuar a gostar de mim?

Não me deverias comprar ou servir de presente para alguém. Tal como te disse anteriormente, sou um ser. Seja em miúdo ou graúdo, dou trabalho e sou dispendioso, pois preciso da minha ração, das minhas vacinas e da minha higiene. Estás disposto a dar-me isso tudo?

Estás disposto a levar-me contigo de férias ou, caso não seja possível, deixares-me ao cuidado de uma pessoa responsável? E, se por alguma eventualidade, não tiveres dinheiro para me sustentar, vais pedir ajuda a alguém ou vais abandonar-me?

Sabes dono, eu não falo, mas tenho sentimentos. Dos mais sinceros por ti. Estou a teu lado nos momentos felizes ou tristes. Sou realmente o teu fiel companheiro. E os teus amigos humanos, estão ao teu lado quando mais precisas?

Se me castrares ou esterilizares não terás de te preocupar com “percalços” na tua vida. Não terás de abandonar, matar ou enviar os meus filhotes para uma associação.



                                                                            Uma lambidela,



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Violência Doméstica: os agressores vão, as marcas ficam




Era mais um dia entre amigos, mas algo inesperado aconteceu…
“Vera” e “Gabriel” (nomes fictícios) namoraram durante alguns anos. Sempre pensei que ele era um eterno apaixonado. E, apesar do que aconteceu naquela noite de julho, continuei a ter a mesma impressão dele: ele amava-a.

Estávamos em casa de “Vera” a socializar quando os ciúmes falaram mais alto. Ele tinha aquele ar de Don Juan e, por vezes, ela não sabia lidar com isso. Foi então que “Vera” se levantou e se fechou na casa de banho. Fiquei pasmada como uma mera brincadeira poderia originar no que os meus olhos iriam ver…

“Gabriel” levantou-se e foi atrás dela. Eu mantive-me ali na sala como se nada estivesse a passar. Para mim, «entre marido e mulher não se mete a colher».

Os ânimos começaram-se a exaltar de ambas as partes. Ele usou o seu corpo e conseguiu abrir a porta da casa de banho. Continuaram a discussão no quarto. Mais uma vez mantive-me no meu lugar.

Passados alguns segundos, ouvi-a a chamar por mim. Quando olho, vejo um braço no ar. Corro ao alcance de “Gabriel” a fim de o travar. Mas era tarde. Olho para “Vera” e vejo um olho negro e os dentes da frente partidos. Como poderiam ter chegado àquele ponto?

Apesar do estado de “Vera”, ele não conseguia ver o que tinha feito. Estava cego. Tive receio, mas usei o meu corpo para travar possíveis novos atos. E consegui.

Ambas tremíamos. Era difícil manter a calma ao vê-la naquele estado. Pedi calmamente a “Gabriel” para se ir acalmar para a sala, enquanto eu tratava de “Vera”.

Ela chorava compulsivamente abraçada a mim. Sentia-me impotente e culpada por ter deixado aquilo chegar onde chegou. Mas tinha de arregaçar as mangas e cuidar dela. Chamei o 112 mas, eu com os nervos, só me dava para rir. Do outro lado pensaram tratar-se de uma brincadeira e desligaram. Mais uma vez, fiquei sem saber o que fazer.

Antes de chamarmos o vizinho de baixo, perguntei a “Vera” se queria fazer queixa de “Gabriel”. Caso o pretendesse fazer, seria sua testemunha. Ela recusou. Não estava disposta a lidar com mais um problema.
Os três concordámos em contar a mesma história: tinha escorregado ao sair da banheira. O vizinho lá chegou e falou com o 112…

Depressa chegaram os paramédicos e perguntaram-nos o que tinha acontecido. Contei-lhes a história que, estupidamente, tínhamos combinado. “Gabriel” queria ir com ela na ambulância e eu não o deixei. Disse-lhe quem ia era eu, porque ele já tinha feito mal o suficiente.

Já no hospital, “Vera” foi rapidamente assistida. Um polícia perguntou-lhe o que tinha acontecido e ela explicou-lhe o incidente na casa de banho. “Gabriel” foi ter ao hospital e já se encontrava junto a mim.

Passadas algumas horas, chegou a mãe dela e perguntou-me o que se tinha passado. Expliquei-lhe mas, uma mãe nunca se engana. Sabia o que se tinha passado.

Enquanto “Vera” era assistida, perguntei-me inúmeras vezes como é que era possível haver tamanha falta de respeito?! Não o entendia. Nunca tinha assistido a tal ato. Jurei a mim mesma que “ai do homem que se atrevesse a tocar-me”.

Aconteceu. Tocou-me. Tocou-me mais que uma vez. Sempre o perdoei e nunca fiz queixa dele. Não me julguem, nem a todas as outras mulheres que são vítimas de maus tratos. Não tentem entender o que vai na nossa cabeça, porque nunca o vão conseguir.

Se os amamos? Claro que sim. E temos sempre aquela esperança que foi um «acidente» e que não voltará a acontecer. Mas volta sempre. Volta até os deixarmos.

Eu quero terminar este testemunho para agradecer à minha família e aos meus amigos, que são fundamentais para todos os momentos, mas acima de tudo, para nos ajudarem a lidar com a violência doméstica.


Acreditem, podemo-nos livrar dos nossos agressores, mas jamais nos esquecemos da dor psicológica e física a que fomos sujeitas…

sábado, 20 de dezembro de 2014

Carta dos filhos para os pais




Queridos pais,

Vimos falar do vosso papel de pais e do nosso papel de filhos. Sabemos que não é fácil lidarem connosco, mas é para isso que existimos. É para aprendermos convosco e vice-versa.

Sabemos as vezes que vos desiludimos, mas não o fazemos por mal. Simplesmente, numa determinada idade, não conseguimos ir mais além do que aquilo que vocês esperam de nós. Não somos perfeitos, e vocês também não. Por isso, dizemos que temos muito a aprender durante esta caminhada que fazemos juntos.

Existem alturas na vida em que pensamos que estamos a fazer o mais correto e só anos mais tarde é que nos apercebemos que afinal vocês tinham razão. Não é fácil admitirmos que errámos, mas acreditem que tentaremos não o repetir.

Muitas foram as vezes que nos disseram “um dia quando fores mãe/pai vais dar-nos razão”. Sabes mãe, eu ainda não o sou e já te dou razão em muitas coisas.

O principal motivo de discórdia é a falta de compreensão de ambas as partes. Nós filhos, tendemos a seguir as vossas pisadas, mas como ainda não atingimos a maturidade necessária, falhamos e decepcionamo-vos. Sabem o que é que às vezes falta também? Diálogo.

Antes de nos apontarem o dedo, pensem que já tiveram a nossa idade e tentem refletir sobre os vossos erros. Sabemos que a nossa geração é muito diferente da vossa, mas a sociedade é que se encontra em constante alteração, e nós só a tentamos acompanhar.

Sim têm razão quando nos dizem que só nos queremos divertir e que parece que temos medo que o mundo acabe amanhã. Mas aí entram vocês, para nos explicarem os prós e contras.

Constantemente, também nos dizem que “o melhor amigo é o pai ou a mãe”. Percebam que nós vos amamos, mas só numa determinada idade (e não, não é na adolescência) é que percebemos que estão certos.

Ah pais, nós meninas temos uma reclamação a fazer! O homem dessa sociedade moderna em que vivemos não é mais aquele que chega a casa e vê tudo feito por nós. Por isso, façam o favor de o educarem como deve ser e o ensinarem como se faz as lides domésticas.

Assim nos despedimos paizinhos.

Beijos dos filhos que vos amam

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cirurgias Plásticas - Prós e Contras




Que o espelho, por vezes, é nosso pior inimigo, já nós sabemos, mas a obsessão pela perfeição tem um preço. São muitas as caras conhecidas que recorrem à cirurgia estética, mas nem sempre estas intervenções são bem-sucedidas.

Ao longo dos anos as cirurgias plásticas tornaram-se um tema atual, apesar de a sociedade continuar a olhar de forma relutante para alguns métodos utilizados. As intervenções estéticas diferem de país para país, mas as três mais requisitadas são: o aumento de peito, a aplicação de botox e a rinoplastia.

Há quem acredite que estas intervenções estéticas ajudem na autoestima das pessoas, promovendo a uma espécie de blindagem no cérebro.

“Somos uma sociedade obcecada pela beleza, diposta a persegui-la a qualquer custo”, afirma Nancy Etcoff, psicóloga da Universidade Harvard.


É de salientar que todas as cirurgias são um risco. Muitas pessoas já morreram durante as cirurgias e outras ficaram irreconhecíveis. O exemplo mais mediático foi o do cantor Michael Jackson, mas outros famosos, de certeza, devem-se ter arrependido da sua decisão: Janice Dickenson, Donatella Versace ou Mickey Rourke.

Existem muitos adolescentes que fazem os possíveis e impossíveis para se parecerem com os seus ídolos.

De acordo com a psicopedagoga Cristiane Bertucci Nicoleti, "todas as crianças passam pela fase da imitação, seja do pai, mãe, professor, ator ou qualquer pessoa que lhe mostre algo positivo (...) Tudo o que vira exagero pode tornar-se mau".

Como tal, os pais devem ter o cuidado de orientar os seus filhos e não incentivá-los a realizarem operações plásticas, cuja finalidade é imitar os seus ídolos.

Segundo a psicóloga da Universidade Rutgers-Canden, Charlotte Markev, “o que os adolescentes pensam sobre o seu corpo hoje vai contribuir para o próprio conceito de saúde que terão no futuro”.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mortes no Futebol



“Médicos especialistas da FIFA informaram nesta quinta-feira que nos últimos cinco anos contabilizaram, em todo o mundo, a morte de 84 jogadores de futebol enquanto treinavam ou disputavam jogos, devido a problemas cardíacos”. (notícia publicada pelo Jornal Público em 2012).

Foi a 25 de janeiro de 2004, quando os portugueses assistiram, em choque, à morte do jogador do Benfica, Miklos Fehér, de 24 anos. Após aquele momento, os portugueses colocaram de parte os clubismos e uniram-se na dor.

Miklos Fehér não foi o único jogador, em Portugal, a morrer em campo. Em 1973, o FC Porto viu Pavão morrer de ataque cardíaco. Posteriormente a estas mortes, a Liga Portuguesa de Futebol já assistiu a mais três casos: Pedro Navalho, Hugo Cunha e Alex Marques.

“O nível de competitividade do futebol atual, no qual exige uma intensidade cada vez maior de força muscular, mais capacidade cardiorrespiratória e exercícios físicos exaustivos podem estar associados ao aumento dos casos de morte súbita”, afirma o doutor Álvaro Amândio.

Segundo as recomendações da FIFA, os desportistas devem submeter-se a avaliações médicas regulares: “um exame cardíaco detalhado (físico, eletrocardiograma) pode indicar suspeitas de alguma doença. Em seguida, será necessária uma investigação especializada adicional (ultrassom, por exemplo), que pode revelar a gravidade do problema e determinar se o paciente precisará ou não de tratamento antes de voltar a jogar”.

Este ano, já foram confirmadas mais três mortes súbitas de jogadores de futebol: Sylvain Azougoui, Albert Ebossé Bodjongo e Peter Biaksangzuala.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Anorexia: a realidade para lá do espelho



Infelizmente, já assisti e vivi esta dura realidade. Doeu mais ver a minha “mana” mais nova a enfrentar esta doença. Foi um choque para mim quando soube pelo que estava a passar. Como a entendia tão bem…

Acreditem que, nestas alturas, o espelho é o nosso pior inimigo. Mostra-nos uma realidade deturpada. Pensamos que estão todos “cegos” e “loucos” e que só nós é que estamos bem. Mas não, nós é que estamos mergulhados nesta maldita doença e não conseguimos ver a realidade.

Quando a vi pela primeira vez, depois de meses internada, abracei-me a ela a chorar. Não queria acreditar como a minha maria-rapaz estava a passar pelo que eu passei. Aquele sentimento de impotência por não ter conseguido protegê-la assombrou-se sobre mim. Eu sei que não tive culpa, mas foi como se tivesse tido. Foi como se o meu exemplo não lhe servisse de lição.

Foi no verão de 2007 quando passei por mais uma provação da vida. Sentia-me bem, mas os meus amigos teimavam em dizer-me “estás demasiado magra” ou alcunhavam-me de “anorética”. Eu simplesmente sorria e pensava “vocês estão todos doidos”. As minhas visitas ao espelho tornaram-se constantes. O que será que eles viam que eu não conseguia ver?!


Demorei a entender que tinha um problema. Foi somente através de uma fotografia, tirada durante o verão, que me deparei com a dura realidade. Foi um choque. Como pude chegar àquele ponto? Mas a verdade é que cheguei. O meu princípio de anorexia adveio de (mais uma) depressão. Felizmente eu e a minha "mana" vencemos esta grande luta.

Portanto amigos, não ignorem as palavras daqueles que estão à vossa volta e pensem que, por vezes, o espelho pode ser o nosso pior inimigo.

Para mais testemunhos: http://www.villaramadas.com/testemunhos/anorexia-bulimia/aceite-por-todos/ 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

As magias do Natal - Artigo de Opinião






"O Natal surge como o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, sendo atualmente uma das festas católicas mais importantes.
Inicialmente, a Igreja Católica não comemorava o Natal. Foi em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o nascimento do Menino Jesus, tendo o Papa Júlio I fixado a data no dia 25 de dezembro, uma vez que se desconhece a verdadeira data do Seu nascimento".

Iluminam-se as ruas. Enchem-se as lojas. Veem-se os sorrisos rasgados das crianças. É Natal.
Bem, antes de mais, deixem-me vos dizer que não é de todo uma época que me agrade, uma vez que não suporto a falsa realidade (de muitas famílias) reunidas e, durante os restantes 364 dias, não se comunicam.

Sim o Natal é das crianças, mas estas deveriam saber o verdadeiro significado da existência desta época festiva, bem como entenderem que há muitas crianças que não têm um Natal recheado com presentes e com bens considerados necessários.

Mas também tenho de louvar a atitude daqueles pais que, quando oferecem presentes aos filhos, dizem-lhes que têm de doar um dos seus brinquedos antigos para as crianças mais carenciadas.

Falando em presentes. Não sei se já tiveram a oportunidade de passear por Alvalade, mas este ano, a fim de dar a conhecer o seu comércio, a Junta de Freguesia decidiu espalhar pela avenida "barraquinhas" de artesanato. Portanto, para quem gosta de oferecer pequenas lembranças, fica aqui a sugestão.

Informo também que, mais um ano, os alunos da Universidade Lusófona uniram esforços para ajudar algumas Instituições, como por exemplo, a Ajuda de Mãe. Para quem tiver artigos de crianças, podem levar para a Universidade e assim ajudar quem mais precisa.

A vocês que gostam de animais, peço-vos para ajudarem as nossas Associações que, mesmo lotadas, acolhem e tratam dos nossos amigos de quatro patas.

Para finalizar, espero que a mentalidade da nossa Sociedade mude e que entendamos que o Natal deveria ser o ano inteiro, Feliz Natal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Poliamor: o amor sem fronteiras - Artigo de Opinião






«Dois é bom, três é demais». Esta é (talvez) daquelas frases que não se encaixam no conceito de Poliamor.

Este é um tema que muitos o conhecem bem e outros (quase) nunca ouviram falar. Tomei conhecimento deste assunto – do Poliamor – em 2009 ou 2010. Foi através daquele que, por norma, dá a cara e assume-se como poliamoroso. Sim, foi o meu professor.

Ontem, dirigi-me a ele, quase como forma de receber o “OK” de poder escrever acerca deste tema. Sabia tanto ou quase nada como vocês, até que pesquisei e tive, de igual forma, o privilégio de ouvir alguém com voz sobre o assunto.

Antes de mais, e isto porque eu também confundia os conceitos, temos de ter em atenção que Poligamia e Poliamor são coisas distintas.

Ora vejamos: entende-se por poligamia a união de um homem com várias mulheres e vice versa; enquanto que o poliamor pressupõe uma igualdade de direitos, não só entre sexos, mas entre pessoas.

“Poliamor é a ideia de que se pode ter de facto mais do que uma relação afetiva, romântica e/ou sexual, com o consentimento informado de todas as pessoas envolvidas, bem como o respeito, preocupação e empatia das mesmas”, esclarece o poliamoroso, Daniel Cardoso.

Quanto mais lia sobre o Poliamor, mais questões me surgiam. Primeiro, a nível sexual, questionei-me se, de vez enquanto, haviam relações em grupo; segundo, quando os membros de uma relação não-monogâmica decidissem ter filhos como é que seria.

Bem, quanto à questão dos filhos, li num artigo que os poliamorosos consideram que, uma vez que existem mais adultos, as crianças recebem mais amor e educação, bem como de haver mais recursos financeiros.

“Os poliamorosos consideram que, com ou sem reconhecimento do Estado ou da Sociedade, os modelos de família são múltiplos”.

Em relação à questão da atividade sexual, visto que não tinha a resposta, dirigi-me mais uma vez ao único poliamoroso assumido que conheço. Ao qual me respondeu que “todas essas coisas são decididas pelas pessoas em questão”.

A Sociedade considera-se modernizada, mas na verdade, quando se depara com pessoas do mesmo sexo (homossexuais) a beijarem-se ou várias pessoas (poliamorosos) a trocarem carinhos em público, as suas expressões dizem tudo. Aquele olhar de admiração ou aquelas expressões de “nojo” são visíveis. Porque não assumir que não estamos preparados para ir mais além do conhecido e do “aceitável”?!

Bem, digo-vos já que não sou e acho que nunca conseguirei ser poliamorosa, visto ser demasiado ciumenta e não ter a capacidade de partilhar “aquilo que é meu”. Quanto à questão das escolhas que as pessoas fazem, considero que “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Ou seja, devemos aceitar que as pessoas escolham a sua forma de ser feliz.

Na medida em que a monogamia é o único modelo relacional contemplado na lei, os poliamorosos lutam por direitos iguais e de reconhecimento social, pois consideram que só se privilegia a monogamia.

Em suma, devemos entender que, tanto uma relação poliamorosa como uma relação monogâmica, necessitam de características inerentes a cada um de nós. Pois, em ambos os casos, é necessário que todos os envolvidos se sintam seguros e tenham certeza do que realmente desejam.


Andreia Teixeira

domingo, 7 de dezembro de 2014

Touradas em Portugal: abolição ou património cultural?



Tauromaquia: O número de touradas realizadas em Portugal diminuiu 30,1% nos últimos 10 anos. De acordo com as estatísticas oficiais, as touradas têm vindo a perder importância e público. 

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), Paulo Pessoa de Carvalho, a tauromaquia “sobreviveu em 2012, embora tenha ficado um pouco mais debilitada pela falta de público em determinados espetáculos”.

Atualmente em Portugal existem diversos movimentos “Anti-Touradas” que defendem os direitos dos animais e censuram esta tradição. Para estes movimentos as touradas roubam não só a dignidade ao touro como também a todas as pessoas que nelas se envolvem, sejam as que executam, as que assistam ou as que permitem.

No ano passado, Passos Coelho recebeu Sérgio Caetano, do Movimento pela Abolição das Corridas de Touros (MACT), para discutirem o futuro das touradas em Portugal.

Sérgio Caetano assegurou que “a abolição das touradas é defendida pela esmagadora maioria dos portugueses”, desejando assim, “o início de uma nova era e de uma evolução de Portugal”.

O facto do primeiro-ministro receber o MACT, suscitou protestos por parte da Federação Prótoiro, acusando o movimento anti-touradas “de ter conquistado uma vitória que resulta de uma fraude, uma vez que não foram acautelados o rigor e a verdade na votação”.

Diogo Costa Monteiro, presidente da Federação Prótoiro, descarta a proibição das corridas de toiros em Portugal, alegando que “a medida seria uma catástrofe que arrastaria para o desemprego milhares de pessoas e aniquilaria a economia de vários concelhos”, para além de ser “uma machadada na cultura, identidade e liberdade dos portugueses”.

No meio de tantas polémicas, sabe-se que quinze municípios já declararam a tauromaquia como Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal, com o objetivo de o Governo classificar o setor como Património Cultural de Portugal.

De acordo com a Prótoiro, o distrito de Viana do Castelo e a Madeira são as únicas zonas de Portugal onde não existem manifestações tauromáquicas.

A tauromaquia é um espetáculo tradicional de lide de touros bravos, do qual, os primeiros registos desta cultura remontam para o século XII. 



(trabalho realizado a 26.05.2013, no âmbito da cadeira de Seminário do Jornalismo)

O Papa do Povo






Considerado um homem de gestos simples, afável e defensor dos pobres, o Papa Francisco, 76 anos, é o 266º Papa da igreja Católica e atual Chefe de Estado do Vaticano, sucedendo a Bento XVI.

Jorge Bergoglio decidiu ser padre quando Amalia, namorada de infância, rejeitou o seu pedido de casamento. A troca de cartas entre ambos foi finalizada pelos pais de Amalia, que trataram de garantir que a jovem nunca mais visse Bergoglio. “Leram apenas uma e custou-me uma bofetada do meu pai”, recorda Amalia, atualmente com 76 anos.

É o primeiro Papa não europeu em 1200 anos e o único jesuíta da história do Vaticano. O Papa Francisco tomou posse do seu cargo no dia 13 de Março, depois de Bento XVI abdicar do papado em Fevereiro. Numa altura em que a Igreja Católica está fragilizada, devido aos diversos escândalos que a envolvem, o que distingue o Papa Francisco de Bento XVI?

Joseph Ratzinger, agora Pontífice Emérito, tornou-se Papa da Igreja Católica em Abril de 2005, após a morte de João Paulo II. Apresenta-se como um homem recatado, tímido e simples, mas foi muitas vezes criticado pela imprensa.

A sua firme negação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a atitude pouco clara em relação aos crimes sexuais contra menores, sendo até acusado de participar no encobrimento de casos de pedofilia, foram os aspetos mais controversos deste pontificado. Noutro episódio, em Setembro de 2006, Bento XVI provocou protestos no mundo muçulmano ao citar o imperador bizantino Manuel II, que descreveu o profeta Maomé como um propagador de ideias “ruins e desumanas”.~

Se em muitas ocasiões o antigo Papa se remetia ao silêncio, nomeadamente, acerca dos escândalos sexuais, o Papa Francisco defende abertamente a punição dos agressores e, com isso, a credibilização da Igreja.

A própria escolha do nome Francisco é um indicador de mudança no papado. Ao evocar o Santo de Assis, apóstolo da pobreza, o pontífice apela a “uma Igreja pobre para os pobres”, afirma que “a minha gente é pobre e eu sou um deles” e ambiciona construir uma Igreja Católica rica mas sem luxúrias.

Essa mudança é visível não só nos gestos simbólicos - como a simplicidade no vestir ou a renúncia às joias - mas também na intenção de conduzir o "grande serviço do ministério do Papa à sua verdade e à sua funcionalidade" e "dar prioridade à vitalidade pastoral, não deixando que a burocracia administrativa tome o primeiro lugar".

No passado dia 12 de abril, sexta-feira, o Papa Francisco deu o primeiro passo para a reforma da cúpula da Igreja Católica, ao nomear um conselho que vai estudar mudanças na constituição apostólica. Entende-se que esta reforma seja lenta, mas os oito cardeais têm até outubro para estudar propostas e apresentá-las ao Papa.


(traballho realizado a 14.04.2013, no âmbito da cadeira de Seminário do Jornalismo)